Sesa alerta para sintomas e tratamento da leucemia

Campanha nacional Fevereiro Laranja tem como objetivo conscientizar a população para as formas de prevenção e tratamento da doença.Por: Jamylle Nogueira

 Foto: Karol Levy/ Sesa

Anualmente, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são registrados no Brasil cerca de 10 mil casos de leucemia. No Amapá esses números são baixos e chegam até 20 casos registrados no ano. Porém, por se tratar de uma doença crônica, a taxa de mortalidade ainda é alta, cerca de 60%. Diante dessas estatísticas, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) adere à campanha nacional Fevereiro Laranja, sobre formas de prevenção e tratamento, além da importância da doação de medula óssea.

A leucemia é uma doença maligna que se inicia na medula óssea, onde o sangue é produzido. Lá, ficam acumuladas as células doentes, que consequentemente substituem as células sanguíneas normais. Sendo assim em uma pessoa com leucemia, há uma mutação nas células sanguíneas que não atingem a maturidade e transforma-se em célula cancerosa, as quais se multiplicam mais rápido do que células normais.

De acordo com o hematologista Sávio Ferreira, a doença tem causas desconhecidas, porém, existem vários fatores de riscos que podem contribuir para o diagnóstico de leucemia aguda. Dentre os principais fatores destacam-se: o tabagismo, radiação ionizante, exposição a formaldeído, exposição a agrotóxicos, solventes, benzeno, entre outros.

Além desses, outros fatores estão relacionados ao surgimento da leucemia, tais quais algumas condições genéticas como Síndrome de Down; síndromes mielodisplásicas e outras desordens sanguíneas; doenças hereditárias; exposição à quimioterápicos nos tratamentos contra câncer, além do histórico familiar.

“Alguns fatores como tabagismo ou exposição excessiva a agrotóxicos são perfeitamente evitáveis, no entanto, submeter-se a um tratamento quimioterápico para um câncer não se pode evitar” lembra o especialista. Outro ponto que vale ressaltar é a exposição à radiação ionizante. “Recomenda-se que os profissionais que se expõem a esses raios usem sempre os equipamentos de proteção obrigatórios (EPI’s)”, explica Sávio Ferreira.

Segundo o especialista, devido as causas serem desconhecidas, na maioria das vezes, e os sintomas confundirem-se com os de outras doenças, o diagnóstico torna-se desafiador até mesmo para os especialistas.

As pessoas devem ficar em alerta para sintomas como, palidez, cansaço e febre constante, aumento de gânglios, do baço e do fígado, infecções persistentes ou recorrentes, hematomas, manchas roxas na pele e sangramentos inexplicáveis pela gengiva e nariz. Esses são apenas alguns dos principais sintomas, em que recomenda-se que as pessoas procurem um especialista o mais rápido possível.

“Além desses sintomas, é importante, sempre nos atentarmos para os resultados de exames simples como o hemograma. Caso haja alguma alteração que gere suspeita, o clínico geral encaminhará o paciente para o hematologista que irá investigar e se achar necessário solicitar exames específicos”, afirma Sávio.

Hábitos saudáveis, como uma boa alimentação, prática de exercícios físicos regulares, não fumar são importantes métodos de prevenção de diversos tipos de neoplasias e devem sempre ser estimulados, lembra Sávio Ferreira.

Tratamento

A quimioterapia é o tratamento indicado, além do controle da infecção, das hemorragias com antimicrobianos e transfusões de sangue; pretensão de infiltração do sistema nervoso que abrange o cérebro e a medula espinhal. Em alguns casos está indicado o transplante de medula óssea.

Segundo Sávio, o transplante de medula óssea, quando indicado, é uma fase essencial do tratamento e pode ser utilizado tanto células do próprio paciente como células de um doador compatível, dependendo do caso. “Precisamos sempre enfatizar a importância da doação de medula óssea. Esse gesto é altruísta e ajuda a salvar muitas vidas”, frisa Dr. Sávio.

Existe um Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), realizado nos hemocentros de todo o país. Na unidade é recolhido do potencial  doador 5ml de sangue, que fica armazenado no banco de dados, onde, caso seja compatível com o paciente, de qualquer parte do Brasil e do mundo, esse doador será acionado e, caso concorde, é encaminhado até a cidade onde o receptor mora, é internado na mesma unidade hospitalar e assim são realizados os procedimentos para o transplante.

Como tornar-se um doador de medula óssea?

No Amapá a pessoa interessada em tornar-se um doador pode se dirigir até o Instituto de Hematologia e Hemoterapia do Amapá (Hemoap), de segunda a sexta feira, das 07:30 às 12:00 horas, desde que atenda requisitos como: ter entre 18 e 55 anos de idade,  estar em bom estado geral de saúde, não ter doença infecciosa ou incapacitante, não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico. Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

Além do cadastro no Redome, o Hemoap também é referência para diagnóstico da leucemia e outras doenças do sangue. “Trabalhamos em conjunto com o Hospital de Emergência (HE), que é porta de entrada para esses pacientes. Após a confirmação ou forte suspeita de que a pessoa tem leucemia, ela é encaminhada para a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), para iniciar o tratamento”, conclui Sávio.

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